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EUA priorizam proteínas e pressionam pela reformulação de ALIMENTOS PROCESSADOS

O governo dos Estados Unidos divulgou no início deste mês de janeiro as "Diretrizes Alimentares para Americanos 2025-2030". O documento, emitido pelo secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. e pela secretária de Agricultura Brooke Rollins, estabelece uma nova base para políticas nutricionais federais, com uma recomendação clara: priorizar alimentos integrais e proteínas, enquanto se reduz drasticamente o consumo de açúcares adicionados e alimentos altamente processados.

O documento, enxuto em suas 10 páginas (contra as 164 da edição anterior), apresenta uma revisão estrutural da dieta recomendada. Um novo gráfico inverte a lógica da antiga pirâmide alimentar, colocando no topo proteínas, laticínios, gorduras saudáveis, frutas e vegetais, enquanto desloca os grãos para a base de menor prioridade.

O ponto focal é a postura rígida contra "alimentos altamente processados" e carboidratos refinados. As diretrizes desencorajam explicitamente o consumo de itens embalados prontos para comer, salgadinhos e doces — categorias que tradicionalmente dependem de extenso uso de aditivos para textura, conservação e palatabilidade. Embora o termo "ultraprocessado" seja debatido tecnicamente, o documento associa esses produtos de alta densidade calórica a doenças crônicas, pressionando fabricantes a buscarem alternativas de ingredientes que ofereçam funcionalidade sem comprometer a percepção de naturalidade.

Gorduras saturadas e oportunidades no food service

Uma mudança técnica relevante refere-se às gorduras saturadas. Diferente de diretrizes passadas que declaravam uma "guerra" total a esses lipídios, o novo texto sugere uma abordagem qualitativa: os consumidores devem optar por fontes de gordura saturada de alimentos integrais (como carnes, laticínios integrais e abacates), mantendo o limite de 10% das calorias diárias. Isso abre espaço para a indústria de ingredientes trabalhar com gorduras de origem natural em detrimento de óleos industriais refinados.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar, que serve 30 milhões de crianças diariamente, é obrigado a seguir essas normas. O Departamento de Agricultura (USDA) iniciará um processo de tradução dessas recomendações em requisitos técnicos para refeições, o que exigirá uma reformulação massiva de produtos fornecidos por empresas do setor para se adequarem aos novos padrões até a implementação total, prevista para 2027.


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